quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A cidade é a nossa casa!

Ecologia é a junção das palavras gregas ôikos, que quer dizer casa, domicílio, habitat e lógos, que quer dizer estudo, ciência, linguagem. Do latim, a palavra logo, que quer dizer morada.

Assim, poderíamos dizer que a ecologia trata da "morada das moradas" ou a "ciência da casa".

Se o planeta que habitamos é a nossa casa, imagine a cidade que moramos.

Nos programas eleitorais deste ano quase todos os candidatos pensam em números, grandes números. Empregar milhões na construção de hospitais, postos de saúde, asfalto, quase tudo relacionado construir ou comprar.

Vi pouco falarem de pessoas e da administração da máquina pública.

Guardados os níveis de complexidade, governar uma cidade é como administrar nossa casa. Verificar se tem alguma lâmpada queimada, verificar se a iluminação é apropriada, verificar se a água está em condições de uso, verificar a limpeza, observar se os filhos não estão fazendo muito barulho que chegue a incomodar os vizinhos ou aprontando alguma coisa que ponha em risco a integridade deles e da casa, ver se o alimento está a contento, verificar se o lixo está bem acondicionado e já foi posto para fora. Ver se os filhos estão fazendo a lição e estudando, se fazem esportes para o bem da saúde e da mente. Se ficam doente, levar ao médico. Ao dentista com a frequência necessária para manter a saúde bucal.

Agora observem as atividades caseiras do nosso dia-a-dia e tentem imaginar a sua cidade.

A iluminação pública é adequada ?; há lâmpadas queimadas nas ruas?

Não sei a de vocês mas a minha é surpreendentemente escura, em ruas centrais e periféricas, apesar de se a capital do Estado da maior Hidrelétrica nacional: Tucuruí.

A água está adequada para o consumo?

As doenças de veiculação hídrica na cidade(Só tenho dados antigos. Seria preciso novos dados. Mas o que mudou de 1997 para cá?) de 1990 a 1997: 1992, 621 casos de cólera; 1994 16.904 casos de diarréia; 1995, 1080 casos de hepatite infecciosa, 51 de febre tifóide e 274 de leptospirose. Detalhe: as doenças infecto-parasitárias, de origem hídrica, estão entre as cinco principais causas de mortalidade de crianças menores de cinco anos de idade segundo a Organização Mundial de Saúde.

A cidade está limpa?

Uma das coisas que chama a atenção dos turistas que visitam Belém, além das belezas dos prédios históricos, da Estação das Docas, da Casa das 11 janelas, Mangal da Garças etc, é a sujeira de suas ruas e a pichação dos prédios. Falávamos em outro post sobre a ausência total de um programa de coleta seletiva do lixo sobre toda a coletividade.

A cidade está ou é barulhenta ou tem cuidado da integridade dos municípes?

Tenho uma amiga que já conhece todos os diretores da Secretaria Municipal de Urbanismo e secretaria Municpal de Meio Ambiente pelo nome porque quer fechar um bar no bairro da Cidade velha que teima em fazer barulho à noite inteira, sem conseguir. Conseguiu fechar uma venda clandestina de gás de cozinha, depois de muito pelejar, como diz o paraense. As instituições simplesmente não se comunicam.
Minha amiga agora está tentando o Ministério Público Estadual, num exercício de cidadania admirável.
Mas e os outros bairros? E as grandes aglomerações e shows particulares em áreas bastante adensadas populacionalmente, como estão?

O alimento está a contento?

A cidade importa 80% do que consome como alimento e como anda a nossa vigilância sanitária?

E mais, crianças fora da escola, sem locais de lazer, saúde municipal em fragalhos.

Penso que quando pensarmos de forma mais simples, teremos a eficiência de uma dona de casa na gestão da cidade.

Um comentário:

ALan disse...

O povo gosta mesmo é de obra.
Não que não seja importante. As obras (hospitais, escolas, asfaltos etc) fazem parte do equipamento urbano essencial, tanto as construções quanto reformas. Porém, a existência de pichação, lixos nas ruas, levantar a auto-estima da cidade sem ser de forma eleitoreira, barulhos altos, vendedores ambulantes nos meios das principais ruas incomodam bastante e dão a impressão de desorganização.
Essa mudança cultural creio que ocorrerá, mas demorará bem mais do que a construção de escolas e hospitais.
Abs,
Alan